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Postagens

Sobre nuvens e lágrimas

            O mês de Julho era sinônimo de férias. Alguns alunos viajavam, outros ficavam em casa e tinha ainda aqueles que participavam de programas voluntários. Naquele ano – ano de vestibular para Lívia e Francisco – os dois decidiram, junto com a família e os amigos, fazer parte do terceiro grupo de estudantes. Parecia a coisa certa a se fazer. Na segunda semana daquele mês, Francisco, o Irmão Mais Velho, o Cunhado e o Melhor Amigo do Menino ajudavam na reforma do colégio quando uma explosão interrompeu a obra. Os voluntários que estavam próximos ao local foram arremessados a alguns metros de distância. O Menino foi jogado contra parede, atingindo o chão ainda consciente, enquanto o melhor amigo foi lançado contra uma porta de vidro que dava acesso ao corredor. Os irmãos de Lívia e Francisco estavam do lado de fora do colégio, descarregando os materiais que chegavam, quando tudo aconteceu. Do outro lado da cidade, a Menina, a ...

Sufoco

A Menina, o Menino, os amigos e os familiares comemoravam o final das férias escolares na casa de praia dos pais dela. No último dia da viagem, uma parte da tripulação decidiu que estava na hora de tirar a poeira do barco e aproveitar o presente que o tempo oferecia - uma manhã a favor das aventuras. Infelizmente, o dia iluminado pelos raios contagiantes de sol foi interrompido quando a Menina desapareceu aos olhos dos outros. Ela não estava em nenhum lugar do barco. Alguém alertou que, segundos antes, viu a Menina molhando os pés na água. O Menino e o Pai dela se olharam nos olhos, entendendo o que esse alguém queria dizer. Sem pensar muito, e tentando manter a calma – afinal, fazia apenas alguns segundos que ela desaparecera - os dois foram para lados opostos do barco e mergulharam. Se fosse possível sentir o que a Menina sentia, os dois escutariam: “Estou afundando. Não consigo respirar. As lágrimas transbordam ou só há água do mar? Não posso gritar. Desaprendi os movimentos. Es...

Um esbarrão cinzento

Sinto tanta falta do tempo que ficou no passado. A gente conversava quase todo dia via mensagem de texto. Mensagem que não dizia nada importante, mas que era suficiente para fazer rir e sorrir por tempo inclassificável – tão bom que nem parecia real... Que saudade de você, de nós dois! Que saudade de todas e de cada coisa que saía dessas nossas – para os outros – conversas insignificantes. Só de lembrar, sorrio enquanto escrevo... Quem mandou esbarrar contigo, assim tão cedo e tão sem querer, em uma dessas esquinas da vida? Nessa manhã cinza que anuncia a chuva lá fora e aqui dentro. 

Memories of you

Hey, you! Estava pensando em você hoje de madrugada. Passei um tempo no passado, revisitando nossos lugares preferidos. Quantas risadas nós não demos caminhando pelas calçadas enquanto você contava mais das suas histórias de criança? Quantas coisas nós não fizemos juntos pela primeira vez? Lembra-se daquela ida a livraria? Você nunca foi muito de ler, mas naquele dia decidiu ir comigo fazer compras... Você ficou fascinado com o tamanho das estantes. Era tanto livro que ficava difícil escolher apenas um para levar para casa. Mas, eu te convenci de que se você levasse apenas um, poderíamos voltar em outro dia, num futuro próximo. Seria um pretexto para mais uma aventura nossa. Se eu te apresentei a livraria, você me convenceu de que experimentar o milkshake do café do seu avô seria inesquecível. Nas suas palavras "era uma explosão de sabor inexplicável". Você não tinha razão, mas foi bom vê-lo gargalhar, enquanto eu fazia caras e bocas tentando disfarçar que não tinha gostado...