21 de janeiro de 2026 Três segundos, quatro segundos, cinco segundos. Aurora sabia o que Afonso queria dizer. Talvez Aurora já soubesse o que Afonso sentia antes mesmo de ouvi-lo dizer aquelas palavras. Talvez Aurora já soubesse inconscientemente dos próprios sentimentos, porque, naquele momento, ela percebeu que era recíproco durante todo o tempo que os dois compartilharam nas últimas duas semanas. Mas uma coisa Aurora não sabia: como lidar com aquela situação. Ela ainda não estava preparada para encarar os sentimentos descobertos, conscientemente, por, pelo menos, cinco minutos. Aurora precisava de um pouco mais do que isso para assumir o que sentia, para reunir coragem o suficiente para o momento que chegaria. Então, ela perguntou, ainda olhando nos olhos dele: – Sabe o que também é importante na resposta ao estresse em vertebrados? Além da reação de luta ou fuga, quero dizer. – Afonso franziu o cenho e semicerrou os olhos por alguns poucos segundos. Ele não sabia onde Aurora ...
21 de janeiro de 2026 As aulas ainda não tinham começado. Ainda faltavam semanas para o ano letivo ser oficialmente iniciado. Alguns estudantes aproveitavam o litoral pernambucano para ir à praia com a família, outros preferiam visitar praças, fazer compras no shopping ou assistir aos filmes que estavam em cartaz. Aurora não fazia parte de nenhum desses grupos. Todo dia, ela escolhia um livro sobre alguma coisa que ela não conhecia ou conhecia pouco para ler. Pontualmente, às 07:00 horas, ela sentava no balanço de dois lugares que ficava no jardim de casa e passava horas descobrindo universos inteiramente novos ou pouquíssimo conhecidos. Aurora gostava de aprender e considerava o conhecimento uma ferramenta poderosa. Por isso, não existia um tema específico que chamasse sua atenção. Ela tentava ler tudo o que a ela fosse apresentado intencionalmente ou não, e costumava anotar as informações mais interessantes das leituras que fazia em um caderno. Em algumas ocasiões, um livro só ...