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Sobre gostar de alguém...

Eu não conheço todas as palavras do mundo. Não conheço 1/100 do planeta Terra. Não sei que horas são na Venezuela agora. Não sei nada sobre direito, nutrição ou fisioterapia, muito menos sobre estatística. Nunca soube diferenciar um carro do outro. Não me interesso pelas regras da fórmula um. Não que você precise saber sobre qualquer uma dessas coisas. Na verdade, eu também não sei por que estou escrevendo todas essas palavras. Ou, talvez, eu saiba... Será essa uma maneira estanha de te dizer que eu gosto de você? Que, apesar de saber muito pouco, pelo menos, agora sei que eu gosto de você.

Trilha sonora

Qual seria a trilha sonora do nosso abraço? Seria em um dia de sol ou embaixo de chuva? Você sorriria a me ver? Ou eu choraria de alívio por te ter? Você me diria palavras doces? Ou eu preencheria o momento com o silêncio? Qual seira a trilha sonora do nosso abraço (?), aquele que reconhece tudo que tentou esconder por debaixo do casaco? 

Carta não entregue?!

Carta que escrevi para Eduardo, meu primeiro amor, mas que nunca entreguei. Te escrevi umas poucas palavras Elas dizem mais ou menos o seguinte... O Vento me disse uma vez que era capaz de escutar meus suspiros madrugada adentro - suspiros daqueles que nos escapam quando gostamos de certo alguém. Eu argumentei dizendo que a interpretação estava errada, mas o Vento - ouvinte desde que o mundo se entende por mundo e colecionador de histórias mais antigo - sabia muito sobre as pessoas. Outro dia, enquanto levava resquícios de poeira do passado para descansar em outros quintais, escutei-o deixar uma mensagem sussurrada pela janela que cantava “a vida é muito curta e o medo (?), o medo, ele paralisa”. Tentei chama-lo de volta, gritei para o Vento, tentando entender o que ele queria dizer com tudo aquilo, mas ele, passageiro do jeito que é, já estava a quilômetros de distância. Fechei a janela. Sentei no chão encostada a parede, enquanto a janela fazia dançar a luz que o sol t...

Da série: de onde você veio, Menina? E o seu amigo, o Sábio?

“ A Menina e o Sábio - Melhor momento”  Sentado no sofá, o Sábio assistia um filme antigo na televisão quando a Menina apareceu em pé atrás dele. Ele se assustou. - Doce Menina! – Disse pondo a mão no coração. – Que susto! Veio me fazer companhia? - Sempre – Respondeu a Menina, animada, sentando ao seu lado. - Estava mesmo com saudade de sua companhia. Como anda o outro lado? – Perguntou o Sábio, brincando. A Menina sorriu. - O outro lado? Se eu contar, perderá a graça. – Respondeu a Menina, entrando na brincadeira. - Justo. – Sorriu o Sábio, timidamente. - Então quer dizer que eu sou o melhor momento do seu dia? – Brincou a Menina. - Ah, Doce Menina, você não faz ideia! Acho que sorrio mais desde que nos conhecemos. – Confessou o Sábio. - Também acho que o Sábio sorri mais nos últimos anos. – O Sábio voltou a sorrir. - Agradeço minha Pequena Grande Amiga. – A Menina pôs a mão esquerda em cima da mão do Sábio e, pela primeira vez, ele pôde sentir o toque mi...

Conversa silenciosa

A noite lá fora estava tranquila. A lua e as estrelas iluminavam o céu, enquanto o vento levava resquícios de conversa e poeira para longe. O balanço fazia barulho. Esforço extra que quem está enferrujada há muito tempo. Na frente do parque, hoje vazio, o restaurante “Em família” comemorava mais uma primavera do dono dos melhores sucos da cidade. Quando alguém saía, trechos de conversas escapavam para a rua. O cachorrinho, que ali perto descansava, hora ou outra levantava, tentando entrar escondido no bar para fazer parte daquela alegria. Infelizmente, todas as tentativas, até aqui, foram frustradas. Quando a porta abriu mais uma vez, com a ajuda da Menina, que chegava atrasada, o cachorrinho entrou de fininho e se escondeu debaixo de uma mesa próxima a saída, a voz de alguém desconhecido chamava a atenção dos convidados. - Boa noite – Começou o anfitrião envergonhado. O namorado da Menina estava do outro lado do salão – Eu queria pedir um minuto, talvez dois, da atenção de vocês. –...

Tentar esquecer é pedir para lembrar

Palavras que eu queria ter dito para Eduardo, mas nunca tive coragem de falar em voz alta: - Eu não sou muito boa com as palavras. Não com as palavras ditas ao vento, pelo menos. Não que eu seja boa com as escritas por aí. – Enrolou-se Alegria  –  Eu também não sei bem, ou mal, expressar meus sentimentos, dizer o que eu sinto pelos outros, por você. – Tempo. – É a primeira vez que eu tento expressar toda minha confusão olhando nos olhos de alguém. Ao vivo, em cores, em tons e sons.  – Inspira. Expira. – O que eu quero falar, o que eu quero te dizer é que EU gosto de VOCÊ. Não como eu gosto dos outros. É mais como... – Enrolou-se Alegria outra vez. - Ok, calma! – Inspira. Expira. – O que eu estou tentando pôr em palavras, o que eu estou tentando não mais esconder é que mesmo sem querer... E eu juro que eu tentei – Enrolou-se a Alegria mais uma vez. – É que mesmo sem querer eu me apaixonei por você. E por mais que eu tente, por mais que eu queira te esquecer, eu esqueço ...