Pular para o conteúdo principal

Postagens

Da série: de onde você veio, menina? E o seu amigo, o Sábio?

“A Menina e o Sábio – Iluminando um ao outro” Enquanto o dia ainda se espreguiçava, a Menina e o Sábio permaneciam sentados em um balanço da praça da cidade. Eles se mantinham em silêncio até os primeiros raios de luz chamarem a atenção dos dois. Percebendo que o Amigo sorria, a Menina perguntou: - Você já ouviu falar dos Amigos-luz? – O Sábio olhou para o lado, onde a Menina estava sentada e, intrigado, repetiu em forma de pergunta: - Amigos-luz? – Ele sabia que a Menina gostava de fazer perguntas diferentes, mas, talvez de todas as que ela já tinha feito, essa pareceu a mais estranha. Mas o Sábio gostava disso, do jeito que a Menina formulava seus pensamentos, pois a conversa era sempre uma surpresa agradável e hoje, pelo visto, não seria diferente, ela seguiria um caminho, até o momento, bem estranho e certamente interessante. – Não sei, mas não me parece familiar... – O Sábio voltou a falar, enquanto tentava, por mais alguns minutos, lembrar se já ouvira falar desses “Am...

Da série: de onde você veio, Menina? E o seu amigo, o Sábio?

“A Menina e o Sábio – O observador” O Sábio saiu de casa para caminhar. O mar era lindo àquela hora da manhã e a areia ainda não queimava os pés. Por isso, ele decidiu que molhar os pés era uma boa ideia para começar o dia. - Sabe, Doce Menina, me admira a beleza que tem o mar... – Começou o Sábio. A Menina ainda não chegara, mas ele sabia, ele sentia que ela viria. - É bem bonito mesmo. – A Menina respondeu, andando ao seu lado. O Sábio sorriu. – Você enxerga além? – Perguntou ela animada. O vento não puxava seus cabelos para longe da água, deixando-a triste. A Menina não poderia sentir o sal do mar em seus pés. Não poderia molhar sua roupa ou seus cabelos. Nem lavar o rosto. Ela imaginava como seria incrível sentir o sal incomodar os olhos. Era inexplicável como ela não sabia que sentiria saudade de certas coisas. – Nunca pensei que sentiria falta disso. – Falou a Menina para si mesma. O Sábio não escutou. Estava encantado com a imensidão do mar. – Você enxerga além? – Perg...

Da Série: de onde você veio menina? E o seu amigo, o Sábio?

“ A Menina e o Sábio – As folhas das árvores” O Sábio admirava o pôr do sol quando a Menina apareceu ao seu lado. Já fazia um bom tempo que ele estava sentado no banco do píer com seus pensamentos e o aroma do mar que o vento espalhava. O Sábio não precisou olhar para Menina para saber que era ela. Apenas sua Grande Amiga sabia onde encontrá-lo. - O pôr do sol é muito bonito daqui. – Comentou a Menina ainda de pé. Ela fez a volta e sentou-se no espaço vazio, ao seu lado. Como sempre, a Menina ajeitou seu vestido, deixando-o perfeito. Não que ele já não estivesse. - Dizem que não há mais bonito em 100 km. – Falou ele, orgulhoso da cidade onde morava. - 100 km? Só isso? – A Menina pareceu surpresa - Soube pelo vento que se você observar o mar da nossa cidade de qualquer ângulo – Ela olhava para a linha do horizonte -... Perceberá que 100 km não estão minimamente próximos da verdade. - Não vou discutir com o vento. Ele certamente é mais Sábio que o Sábio mais Sábio. – A Men...

Ensaio de um adeus

Ficção e realidade se misturam, não é mesmo? Francisco e Lívia assistiam “Ensaio de um adeus” quando a janela bateu com força por conta do vento. Os dois pularam do sofá assustados. O vento precedia a tempestade que viria mais a noite. - O céu vai se desmanchar em chuva. – Comentou Lívia, levantando-se para fechar a janela. Francisco riu. - Desde quando você não gosta de uma tempestade poética? – Perguntou ele, irônico. Lívia parou onde estava e a meio passo da janela, pegou a almofada da cadeira que ficava ali perto e jogou no namorado. – Ai! – Reclamou ele. – Grossa. - Desde nunca. – Respondeu ela, conseguindo finalmente trancar a janela, depois de três ou quatro tentativas frustradas. – Mas, meus pais não são grandes fãs da chuva aqui dentro de casa, principalmente quando se trata desta poltrona histórica. – Lívia deu dois toques no encosto da cabeça antes de voltar a sentar ao lado dele. - Quantos anos têm a “poltrona histórica”? – Perguntou Francisco, imitando o jeit...

Dois

Não faz parte da história da Menina e do Sábio: Era noite de lua cheia. Alegria voltava para casa de ônibus. Ela olhava para o céu através da janela, imersa em seus retalhos coloridos. A tristeza de um passado recente, que foi embora cedo demais, acompanhava Alegria do sol a lua, preenchendo aquele dia do segundo mês sem o “dois”, o “dois” sem forma, cor ou som. Quanto mais o céu corria, mais saudade do Amigo, ela sentia. Porque observando o azul escuro e as cores ao redor, Alegria percebia: a cidade estava cheia de lembranças dos dois, lembranças felizes, em que os sorrisos e as gargalhadas foram os protagonistas daquelas cenas, hoje tão distantes. Mas, revivê-las no presente, naquela volta solitária para casa, não faziam dela, uma boba sorridente, e sim uma luz tristonha e sem esperança.   - Quando a dor irá embora - Perguntou desesperada para Lua. Infelizmente, a Lua não sabia. Só o vento ponderava: - Quando as palavras não formarem mais perguntas como esta em seu coração?!