Pular para o conteúdo principal

Postagens

Conversa silenciosa

A noite lá fora estava tranquila. A lua e as estrelas iluminavam o céu, enquanto o vento levava resquícios de conversa e poeira para longe. O balanço fazia barulho. Esforço extra que quem está enferrujada há muito tempo. Na frente do parque, hoje vazio, o restaurante “Em família” comemorava mais uma primavera do dono dos melhores sucos da cidade. Quando alguém saía, trechos de conversas escapavam para a rua. O cachorrinho, que ali perto descansava, hora ou outra levantava, tentando entrar escondido no bar para fazer parte daquela alegria. Infelizmente, todas as tentativas, até aqui, foram frustradas. Quando a porta abriu mais uma vez, com a ajuda da Menina, que chegava atrasada, o cachorrinho entrou de fininho e se escondeu debaixo de uma mesa próxima a saída, a voz de alguém desconhecido chamava a atenção dos convidados. - Boa noite – Começou o anfitrião envergonhado. O namorado da Menina estava do outro lado do salão – Eu queria pedir um minuto, talvez dois, da atenção de vocês. –...

Tentar esquecer é pedir para lembrar

Palavras que eu queria ter dito para Eduardo, mas nunca tive coragem de falar em voz alta: - Eu não sou muito boa com as palavras. Não com as palavras ditas ao vento, pelo menos. Não que eu seja boa com as escritas por aí. – Enrolou-se Alegria  –  Eu também não sei bem, ou mal, expressar meus sentimentos, dizer o que eu sinto pelos outros, por você. – Tempo. – É a primeira vez que eu tento expressar toda minha confusão olhando nos olhos de alguém. Ao vivo, em cores, em tons e sons.  – Inspira. Expira. – O que eu quero falar, o que eu quero te dizer é que EU gosto de VOCÊ. Não como eu gosto dos outros. É mais como... – Enrolou-se Alegria outra vez. - Ok, calma! – Inspira. Expira. – O que eu estou tentando pôr em palavras, o que eu estou tentando não mais esconder é que mesmo sem querer... E eu juro que eu tentei – Enrolou-se a Alegria mais uma vez. – É que mesmo sem querer eu me apaixonei por você. E por mais que eu tente, por mais que eu queira te esquecer, eu esqueço ...

Reencontro

O Melhor Amigo da Menina chegava hoje de um ano não planejado (menos do que o normal, pelo menos). Ele saía do carro quando a Menina atravessou correndo o portão que dava para o estacionamento. O Menino vinha atrás. Ao vê-lo, a Menina parou e, no instante seguinte, os olhos dela encontraram os dele. Depois de muito tempo (tanto, que o próprio tempo desistiu de conta-lo), os dois estavam frente a frente. O vento afastava os fios de cabelo da Menina para longe. Uma mistura de alegria e saudade desenhava sorriso no rosto dos dois. Uma lágrima descia pela bochecha dela, outras transbordavam pelos olhos dele. O tempo pareceu parar para eles. Ao mesmo tempo em que parecia correr para os outros. Era como se poeira estivesse suspensa no ar e como se só a luz do sol, que driblava as folhas das árvores com a ajuda do balançar do vento, dançasse alegremente, iluminando pontos sortidos de toda a distância que os separava. Tic, tic, tic... O relógio continuava com sua cacofonia ritmada, nervoso po...

Da série: de onde você veio, Menina? E o seu amigo, o Sábio?

A Menina e o Sábio - As cores das flores - Onde estão as flores da primavera? – perguntou o Sábio a Menina. - O outono levou... - Por que não me avisaram que o tempo corria contra ele mesmo? - O tempo não para, Amigo Sábio. - Disse a Menina, desanimada. - E, às vezes, as coisas mudam em um piscar de olhos. - Ela olhou em seus olhos antes de continuar - É difícil acompanhar o tempo em certos momentos. - Acho que perdi mais que as flores e as cores da primavera – finalizou o Sábio de maneira triste.

Bagagem

- Por que não? – Perguntou Joaquim, sem entender porque Marina tinha tanto medo de sentir o que sentia por ele, de se entregar àquele amor sem impedimentos. Um amor tão simples quanto sorrir. - Porque eu sou só eu. – Respondeu Marina, tristemente. – Eu não tenho nenhuma experiência ou histórias pra contar. - Respirou fundo antes de continuar. - E você é você... Cheio de passados, de segredos. De tudo o que eu não tenho. Eu...  - Eu gosto de você. – interrompeu Joaquim. – E não me importo se você não sabe nada sobre tudo. – Pausa. – Porque você e eu podemos escrever uma história de agora em diante, do presente para o futuro, muito melhor do que as eu vivi no passado. – Ele afastou os fios de cabelo dos olhos dela e, sorrindo, perguntou: - Quem disse que ter bagagem é melhor do que viajar sem mala? 

Dançando na chuva

O Mini-texto de hoje é dedicado a Tassinha e não faz parte da história da Menina e do Sábio. A Alegria e a Dançarina trabalhavam no laboratório da Universidade em pleno feriado. Fazia mais de 20 dias que as duas não descansavam. Elas contavam as horas para o próximo final de semana. Sábado e domingo, as duas não trabalhariam. Em algum momento do dia, talvez no final da manhã, Alegria saiu para encher a garrafa de água, que aquela altura da manhã já estava vazia, quando foi surpreendida pela chuva. A Alegria chamou pela Dançarina, animada. Assim como ela, a dançarina amava a chuva e a oportunidade de dançar e cantar enquanto o céu se desfazia em pequeninos pingos de água, a deixava contente. As duas, então, se divertiram durante um curto tempo infinito, deixando a água levar o cansaço daqueles últimos dias. Enquanto elas aproveitavam a chuva, o Primeiro Amor observava a Alegria sorrindo. Talvez tenha sido nesse momento que ele decidira contar pra ela tudo o que sentia, tudo que el...