O
Melhor Amigo da Menina chegava hoje de um ano não planejado (menos do que o
normal, pelo menos). Ele saía do carro quando a Menina atravessou correndo o
portão que dava para o estacionamento. O Menino vinha atrás. Ao vê-lo, a Menina
parou e, no instante seguinte, os olhos dela encontraram os dele. Depois de
muito tempo (tanto, que o próprio tempo desistiu de conta-lo), os dois estavam
frente a frente. O vento afastava os fios de cabelo da Menina para longe. Uma
mistura de alegria e saudade desenhava sorriso no rosto dos dois. Uma lágrima
descia pela bochecha dela, outras transbordavam pelos olhos dele. O tempo
pareceu parar para eles. Ao mesmo tempo em que parecia correr para os outros.
Era como se poeira estivesse suspensa no ar e como se só a luz do sol, que driblava
as folhas das árvores com a ajuda do balançar do vento, dançasse alegremente,
iluminando pontos sortidos de toda a distância que os separava. Tic, tic, tic...
O relógio continuava com sua cacofonia ritmada, nervoso por uma mudança de
tempo. Mas, o tempo não mudava realmente. Só a percepção dele era diferente
para cada protagonista que passava pelo palco da vida. Mais dois segundos e a
linha de tempo presente-futuro voltou ao seu descompasso normal. A Menina saiu da
inércia e correu para abraçar o Melhor Amigo. Ele abriu os braços para
recebê-la - com um sorriso que refletia a felicidade que a alma já conhecia.
Era um abraço que dizia “senti tanto sua falta”, que falava “tanta coisa para
te dizer”. Era um abraço que gritava tudo o que as palavras não alcançavam. Que
transbordava excessos. Era um suspiro aliviado. Saudade que era urgência. Saudade
que o tempo guardou para se desfazer naquele momento.
Ontem, dia 19 de maio de 2026, meu Avozinho Zacarias Cavalcanti deixou o plano físico. Em sua memória, gostaria de deixar uma pequena mensagem aqui no Blog, já que ele sempre foi o maior apoiador desta história, das minhas palavras. Quero dizer exatamente o seguinte: Descanse em paz, meu vovozinho! Sempre acreditei que o senhor fosse imortal, que você chegaria aos 100 anos, que você iria além conosco! No entanto, descobri que a imortalidade está nos momentos que permanecem conosco em nossas lembranças, assim como o Céu, em suas diferentes tonalidades, está sempre acima de todos nós. Portanto, Você está e sempre estará no seu amor pelo Sport, em um pratão de comida boa, nas pipocas estouradas nas festas a que fomos em sua antiga casa, em todas as surpresas de uva que comi no vigésimo andar da beira-rio, nas inúmeras camisetas azuis que você gostava de usar (mesmo sem perceber que azul era sua cor favorita), nos livros inteligentes que você lia (um por mês, pelo menos), nos elogios que r...
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