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A Ventania...

Dedicada a Sabedoria, que mesmo depois de tantas palavras, ainda me escuta falar sobre o ponto de interrogação.  Alegria conversava com a contadora de piadas sobre aqueles dias sufocantes, sufocantes porque a incerteza não a deixava respirar. Ela guardava tanta energia dentro de si - daquelas que fazem o coração comprimir - que precisava gritar para sentir-se mais aliviada. Por isso, no estacionamento onde estava, Alegria pediu a Deus um sinal, atraindo olhares desconhecidos e desentendidos. Meio segundo depois ou até menos, veio o vento. Não o vento diário, mas um Vento diferente com toda força e caos de uma ventania. A desconhecida que ouvira as palavras da Alegria, chamou a atenção dela e da amiga, dizendo: - Você queria um sinal? Ele veio.  –  A moça falava da estranha ventania, apontando para o Céu. Envergonhada, Alegria agradeceu ao telhado azul do mundo inteiro e foi embora pensando nas palavras da jovem não conhecida. Será mesmo que o vento deixara um recad...

"A arte e a vida se imitam" - Autor desconhecido

A Menina ensaiava para o recital da escola no auditório. Ela tocava piano quando o Menino chegou: - Sabia que te encontraria aqui. – De costas para ele, ela sorriu. - Sabia que me encontraria. – Os dois namoravam há um ano e se conheciam mesmo. O Menino subiu os três degraus que davam no palco onde ficava o piano e abraçou a namorada pelas costas. Ele beijou sua bochecha e mordiscou sua orelha, deixando a Menina nervosa. - Assim, você me desconcentra, Amor – Disse a Menina com o coração já acelerado. - Ah, é? – Sussurrou ele no ouvido dela, enchendo-a de beijos. A Menina parou de tocar a canção composta para a apresentação do final de semana e se deixou envolver pelos braços e beijos do namorado. Depois de um tempo, com muita dificuldade, ela conseguiu “escapar”. - Você está me atrapalhando... – Falou ela, tentando resistir ao Menino. Ele insistiu, sabendo que a Menina desistiria. Só foi necessário poucos segundos para que ela cedesse aos beijos dele. Os dois namoraram por...

Talvez

Sobre meu Primeiro Amor, Eduardo! Não faz parte da história da Menina e do Sábio! Alegria estava sentada sozinha no seu lugar predileto, um jardim abandonado da faculdade, onde um dia sonhava estudar. Ela conversava com o céu sobre aqueles dias tristes. Tristes porque Alegria transpirava saudade, saudade dele, do seu Primeiro Amor que trazia luz a sua vida. Por mais que tentasse, a saudade não cedia. Ela já conversara com a sabedoria, com o amarelo, com o sotaque, com todos aqueles “portos-seguros”. Até com a distância Alegria conversara. Infelizmente nenhum deles tinha ajudado Alegria a respirar. Ela recorreu até as palavras, mas ao invés de diminuí-la, quanto mais ela escrevia, mais saudade sentia. Talvez, Alegria ainda não soubesse ou se soubesse, preferia ignorar. Talvez o antídoto para saudade fosse a própria saudade, o Primeiro Amor. Se ela transbordasse o que sentia, talvez assim, a saudade iria embora, preencher uns inteiros ou outros tantos vazios. Talvez.  

O som do silêncio

Não faz parte da história da Menina e do Sábio! Depois de perder o primeiro ônibus do final de noite por conversar com o Céu, Alegria decidiu pegar outro, de itinerário diferente. Ela sentou em uma cadeira perto da janela e no bloco de notas de seu celular escreveu: “Conversei tanto contigo sem você saber que perdi o ônibus que me deixava mais distante de nós dois. Será que fiz sem querer ou por querer te visitar?”. E, apesar de o Primeiro Amor não poder realmente escutá-la, Alegria sorria por sentir que o futuro ainda guardava segredos. Não segredos quaisquer, mas segredos daqueles que fazem os olhos sorrirem em um silêncio cantado.

Paciência

Não faz parte da história da Menina e do Sábio! Keep calm and... Alegria andava desanimada. Perguntava a Vida se estava finalmente na hora de desistir. A Vida, no entanto, trazia nos últimos dias, por menor que fossem, motivos para Alegria seguir em frente. Ela dizia: - Paciência, Doce Alegria! Tudo passa, tudo acaba, inclusive as coisas ruins. Nenhum sofrimento é eterno. E, por isso, Alegria continuava em direção ao horizonte a sua frente, seguindo sempre em frente.

No papel

Não faz parte da história da Menina e do Sábio. Ultimamente, Alegria só escrevia sobre a saudade. Ela esperava que assim, a saudade saísse de si e fosse morar no papel. Alegria acreditava que lá, ela seria lembrança boa, como dançar na chuva ou passar um tempo com aquele que ela amava. Alegria sabia que, às vezes, fazer nada com alguém como o Primeiro Amor podia ser suficiente para se preencher por inteiro. Pois, quem disse que nada não pode ser tudo? Que o silêncio não pode fazer barulho? Ou que o vazio não pode estar cheio?