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Se seus olhos falassem...

Não faz parte da história da Menina e do Sábio! Dedicado a todo mundo que já deixou transparecer pelo olhar o que as palavras tentavam esconder. Qualquer comentário é bem-vindo aqui. Tenham um dia iluminado! Alegria lembrava-se das duas vezes que o Primeiro Amor a olhara de maneira diferente. A primeira, ela recordava em detalhes. Foi em um final de tarde do mês de Novembro, enquanto os dois assistiam a uma apresentação de alguém desconhecido. O Primeiro Amor sorria e fazia Alegria sorrir e com sua voz mais doce falava uma de suas besteiras de sempre. Enquanto escutava o Primeiro Amor falar, ela olhava em seus olhos e, por um instante, ele se desarmara, deixando tudo o que sentia transparecer pelo olhar. Alegria sorriu. Ela sabia que fora um descuido de sua parte, porque o Primeiro Amor sempre relutava em demonstrar seus sentimentos. Alegria não entendia o porquê de sua resistência, mas também não se importava, porque a vida lhe ensinara que cada pessoa carregava consigo uma bagag...

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Dedicado a todo mundo que já sorriu sozinho pensando em alguém. Sorriu aquele sorriso abobalhado de um coração apaixonado. Qualquer comentário,lua ou estrela é bem-vindo aqui e nos twitters @Chaconerrilla e o oficial do Blog @ameninaeosabio Era dia de chuva, de chuva não, de temporal. O semáforo acabara de mudar para o vermelho e o ônibus em que Alegria estava era o primeiro depois da faixa de pedestre. De um lado da rua, um garoto sem guarda-chuva e com um caderno agora molhado na mão desceu da calçada e pôs os pés na rua. Do outro lado, uma garota, com sua sombrinha desgastada e bolsa encharcada, fez o mesmo. A chuva engrossava e os faróis dos carros e ônibus acesos daquela noite chuvosa cegavam os dois. No ônibus, a mistura de conversas paralelas preenchia o ar. Alguns passageiros estavam sentados, outros, talvez a maioria deles, permaneciam imóveis em pé. Era horário de pico. Ninguém preferira esperar um ônibus mais vazio. No final de expediente era sempre assim, hora...

Outras vidas

O mini-texto de hoje é dedicado a dupla dinâmica especial Raquelis e Antônio. Boa noite!  - Eu conheço você - Comentou a Menina, sorrindo. - De onde? - Perguntou o Menino, sentindo que também a conhecia. - De outras vidas. - Respondeu ela, com um sorriso que chegava aos olhos. - De outras vidas? Como você sabe? - Perguntou ele, curioso. - Eu sinto! Sinto essa frequência diferente, mais antiga, mais forte, mais inexplicável - Respondeu a Menina de maneira alegre. O Menino sorriu.  - Nossa frequência, só nossa. - Agora era ele quem a fazia sorrir. E os dois não podiam estar mais certos. Eles se conheciam, não de uma só vida passada, mas de muitas outras.

A Menino e o Senhorzinho

Dedicado a Amandis e a José Waldo. O texto agora é mais feliz. Na cidade onde a Menina morava, o Senhorzinho da Praça era conhecido pelo seu bom-humor e sua boa música. Todo final de tarde, ele afinava seu violão e, em um fusca azul (Azulão), seguia para a Praça Central, onde sentava em um banquinho, hoje desgastado pelo tempo, e tocava as músicas de sua juventude. Um ou outro fazia um pedido, dedicando a canção a alguém querido, mas no geral, o Senhorzinho escolhia o repertório. Era sempre a maior alegria. De uns tempos para cá, ele percebia que sempre as 17:45, a Menina passava conversando com alguém, alguém que ele não podia ver. Ela olhava para cima, às vezes sorrindo, às vezes chorando e sozinha mantinha a conversa agitada. Alguns diziam que a Menina era louca, outros que ela conversava com pessoas que já não estavam mais aqui, tinham ainda aqueles que achavam que ela não falava sozinha, mas sim cantava para os males espantar. Nenhuma das alternativas agradava o Senhorzinh...

Pelas ruas encontrei...

"A sabedoria disse para a Menina uma vez que a arte tinha a função de preencher os vazios deixados pela vida. E a menina sabia que a sabedoria não podia estar mais certa, porque para ela a arte era a ESPERANÇA em forma, cor e som" (Trecho de "Arte)

Vazio

O texto de hoje é dedicado a Amandis e a José Waldo que me acompanham desde os tempos do colégio. Sem vocês, seria mais difícil Qualquer comentário é bem-vindo aqui e no twitter @ameninaeosabio (sim, o blog tem twitter agora). Alegria não sabia que as estrelas viriam para levar a esperança embora. Quando a escuridão tomou conta do céu, ela recebeu a carta mais dolorosa dos seus tão poucos anos. As últimas palavras ameaçaram transformar a dor que ela sentia em lágrimas, mas Alegria fingiu ser forte e foi dormir. Infelizmente, não adiantou por muito tempo. Quando o sol trouxe a luz de volta, desesperada, Alegria  trocou de roupa e pegou o primeiro ônibus que passasse na Avenida Porto Seguro. O itinerário não a deixaria perto da casa amarela, mas ela não podia esperar. Por mais que tentasse esconder a dor, uma ou outra lágrima teimosa fazia questão de transbordar. Alegria sentou na cadeira perto da janela e olhou para o céu e já sem forças, deixou as lágrimas molharem seu r...

Sem permissão

Não faz parte da história da Menina e doSábio! E no silêncio da solidão, Alegria olhava para frente sem enxergar o verde das árvores ou o colorido das flores que estavam diante de si. Ela não estava sentada em um banco ao léu de uma rua silenciosa, estava em um lugar que só ela tinha acesso. Alegria não sentia o sol, o tempo ou o vento. Por isso, sem permissão ou expressão, a tristeza transbordou em forma de lágrimas. E só quando uma gota caiu em sua mão, Alegria percebeu que começara a chorar.