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Postagens

Um olhar, um adeus

Não faz parte da história da Menina e do Sábio. Alegria sabia de uma coisa, sabia que o olhar dizia muito quando as palavras não falavam. Não só o olhar. Ele podia ser acompanhado pelo descompasso de alguns passos, de jeitos e trejeitos. E se as palavras não faltassem, elas carregavam um tom diferente, de hesitação, de deslocamento, de incerteza. Elas traziam a esperança escondida que o coração tentava, sem sucesso, esconder. E, se o ímpeto não transbordasse, a menina sabia que seria tarde de mais. O jeito era dizer adeus, mesmo que por uma ínfima fração de tempo no tempo. Ela percebia, desde cedo, que as pessoas estavam acostumadas a falar com palavras sem vida um "adeus" sem valor, mesmo que todo conjunto escrevesse no ar uma pergunta secreta, mais tarde não dita: "então, o que vamos fazer agora?". 

Silêncio ensurdecer. Barulho silencioso

Não faz parte da história da Menina e do Sábio. Em uma madrugada silenciosa do som das vozes das pessoas, Alegria escutava o barulho dos carros, traçando um caminho conhecido ou, às vezes, até mesmo imprevisível (resultado do ímpeto daqueles que precisavam de novas paisagens, novos congestionamentos); dos ônibus que naquele dia repetiam (como era esperado) o itinerário de seus antigos ou não tão velhos dias; das motos, que pareciam, ora desafiar o vento, ora juntar-se a ele em uma velocidade quase tão rápida quanto a de um coração apaixonado; de seu ventilador, que assim como o ônibus, não se atrevia nunca a sair de sua rota, trabalhando sempre naquele mesmo movimento circular programado; e, por último, o eco de seus pensamentos, que nesta madrugada já ensolarada, pensava apenas nas palavras e na desesperança que as inúmeras junções de várias frases, orações e parágrafos depois provocavam. E, apesar do silêncio ensurdecedor de outras vozes vindo do lado de fora, do lado de dentro, em ...

Da Série: De onde você veio, Menina? E o seu amigo,o Sábio?

Dedicado ao meu Professor Gilberto, que junto a Kenia e Maria Betania, tornou possível a divulgação do primeiro conto de "A Menina & O Sábio".  A Menina & o Sábio – Memórias de duas vidas Todos aqueles que ali estavam presentes dez minutos atrás, agora se faziam ausentes. Apenas o Sábio permanecia onde estava desde o fim da tarde. Ele se despedia do seu neto mais jovem uma última vez, dizendo palavras que a Menina não podia escutar. Sabendo que aquele era um momento particular, ela permaneceu afastada, observando o Sábio de longe. Ele beijou a ponta dos dedos da mão esquerda e deu dois toquinhos na lápide. O epitáfio dizia “mais do que as palavras ou as estrelas podem dizer”. Quando virou, o Sábio, mesmo longe, conseguiu avistar a Menina. Alívio passou pelos seus olhos, hoje tristes. Ele enxugou as lágrimas com o lenço que trazia no paletó e se dirigiu a Menina. - Oi, Doce Menina! Acho que você já soube das últimas notícias. – Disse o Sábio meio sem graça...

Da Série: De onde você veio, Menina? E o seu amigo, o Sábio?

O post desta noite de estrelas é dedicado a minha mãe, que me inspirou a escrevê-lo com seu jeito de Mama orgulhosa e, por isso, sorridente, pois, quem não se sentirá melhor depois de ler alguma coisa a noite?, enquanto está deitado na cama, esperando o sono chegar? Não que isso aconteça muito... O sono chegar, quero dizer. Porque uma boa leitura pode despertar as mentes mais cansadas. Ela pode, na verdade, acender a mente e mantê-la assim durante toda a noite e também ao decorrer de toda a madrugada, enquanto a noite troca de turno com o dia. A Menina e O Sábio – O Nascer do Dia O Sábio saiu de casa para caminhar. O mar era lindo àquela hora da manhã e a areia ainda não queimava os pés. Por isso, ele decidiu que molhar os pés era uma boa ideia para começar o dia. - Sabe, Doce Menina, me admira a beleza que tem o mar... – Começou o Sábio. A Menina ainda não chegara, mas ele sabia, ele sentia que ela viria. - É bem bonito mesmo. – A Menina respondeu, andando ao seu lado...

E o Vento levou... Homem dos Shampoos? É você?

E o post de hoje é dedicado ao meu outro avô, que podia ser secretamente Papai Noel, pois deixava escapar um ressonante "HoHoHoHo" em casa ou em qualquer lugar que fosse. Como podia ser uma celebridade (identidade também secreta, mas, nesse caso, só pelos arredores de São Bento do Una), pois a cidade inteira conhecia o Cadete da buzina irreverente, que emitia sons de incontáveis animais ao chegar em um lugar diferente e desconhecido. Ele podia ser também, só para os Leitores Curiosos terem uma ideia mais completa da Figura, um disfarçado inventor do futuro que, sem querer, veio parar no presente, agora passado. Todo dia, a menina conversava com o Vento. Ele sempre lhe parecera um bom ouvinte. As vezes, ela tinha a impressão de que   mesmo de longe, ele a entenderia. Em alguns momentos, o Vento estava revoltado, balançava as folhas, levando embora algumas e se despedindo de outras, deixando as árvores rumo à rua, aos rios e aos carros, como se entendesse o que a menina queri...

Era uma vez...O Início

O texto a seguir conta um pouco de como surgiu o blog "A Menina e o Sábio". P.S.: O post de hoje é dedicado ao meu melhor amigo, Danillo e a minha amiga de infância, Carol , que ao saberem do Blog, disseram de forma animada (bem, foi assim que eu imaginei quando li as mensagens escritas no Instagram e no What's App) que iriam acompanhá-lo todos os dias (ou sempre que possível).  Agora sim, divirtam-se ou não! O  Sábio  Silêncio  No silêncio de um dia sem vida, ora acompanhada pela luz vermelha de um refúgio secreto, anotando parâmetros de outras vidas, ora perdendo tempo em uma cama improvisada de três cadeiras altas e confortáveis, Alegria foi invadida pela ideia do Sábio Silêncio. Ele sugeriu, sussurrando sem dizer, que a dor, hoje parcialmente cicatrizada, de anos vividos sem vida e cor, poderia fazer de suas lágrimas, inspiração para os desesperançosos, que não mais acreditavam que o sol voltaria a nascer ou que a lua viria a ser cheia e luminosa para a ...

A Lua e as Estrelas

Para todos aqueles que, assim como a Menina, apreciam olhar pro Céu A menina conversava diariamente com o céu, mais especificamente, com a lua e com as suas companheiras, as estrelas. Ela imaginava alguém em seu lugar. E, por isso, conseguia dizer em voz alta, tudo aquilo que mantinha escondido dentro de si. A menina sabia que esse alguém não a escutaria, mas, mesmo assim, continuava, em quase toda oportunidade, abrindo seus segredos à lua e as estrelas. Se ninguém a ouvira, ela podia, pelo menos, rir de si mesma. A menina se achava boba por isso, mas aprendera que momentos assim, de uma solidão não só, a esperança sentava ao seu lado e fazia o mundo ao seu redor ser clareado por uma luzinha crescente. E isso a fazia forte, a fazia pensar que os caminhos futuros seriam mais belos, ladeados por árvores com troncos completos por musgos (sua flora preferida) e com flores ricas em cores e vida, como a cana-da-índia, o lírio e a acácia-amarela.