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A senhorinha

Dedicado a Dona Otávia que assim como a Senhorinha emana muita energia positiva de si. Não faz parte da história da Menina e do Sábio. Em uma comemoração de aniversário, ou numa festa de 25 anos de casados, (Alegria não sabia ao certo), ela conheceu a dona de cabelos branquinhos, cheia de estilo, a quem preferiu chamar de Senhorinha. Ao cumprimentá-la, Alegria sabia que dela saia muita energia, energia boa, pois seu coração se encheu de genuína alegria e de seus lábios lhe escaparam sorrisos sinceros, daqueles que preenchiam os olhos com cor e vida.  Alegria acreditava que as pessoas eram energia e pessoas como a Senhorinha levavam alegria e despertavam esperança por onde passavam, deixando tudo mais bonito, com cores vibrantes, melodias felizes e palavras mais alegres. Pessoas como ela conseguiam ser luz na escuridão, criatividade na total falta de iluminação, conseguiam ser o impossível no improvável. Mas mais do que isso, elas carregavam consigo a sabedoria.

Da Série: De onde você veio, Menina? E o seu amigo, o Sábio?

O conto de hoje é dedicado a theridiculousone como forma de agradecê-lo pelos ouvidos e pelo tempo. Qualquer comentário, luz, estrela ou chuva é bem-vindo aqui ou no twitter @Chaconerrilla A Menina & O Sábio – Pedacinhos do Céu O primeiro trovão ecoou pelo céu. O sábio estendeu o guarda-chuva para fora de casa e o abriu antes que a chuva engrossasse. No instante em que pôs os pés no gramado verde do jardim de casa, o primeiro pinguinho caiu no guarda-chuva. Outros se juntaram ao primeiro, tornando o dia ensolarado em uma manhã chuvosa. Um pouco a frente, a Menina apareceu sorrindo. - Parece que o céu preferiu deixar o azul descansar. – Falou a Menina, olhando para o Céu. – Bom, não é? – Ela sorria. - Você gosta da chuva, Doce Menina? - Você não? - Acho que prefiro o sol. – Comentou o Sábio, pensando no que a Menina falaria a seguir. - Que pena! – Disse a Menina tristemente. – Por que você não experimenta sair sem o guarda-chuva? Tenho certeza que o Sábio saberá do...

Da Série: De onve você veio, Menina? E o seu amigo, o Sábio?

O texto de hoje é dedicado a Camilla e a Sarah que sempre têm palavras lindas sobre o blog: "Menina, amei o texto A Menina & O Sábio - Memórias de Duas Vidas" ou "Teu blog é lindo demais". Mas não só por isso, por todos os anos de amizade. Sou muitíssimo grata. É também dedicado a minha hermanita del alma que fez aniversário recentemente e que me acompanha desde os tempos de criança. Te quiero muchísimo, lo sabes, no? Qualquer comentário, lua ou estrela é só deixar aqui ou no twitter @Chaconerrilla A Menina & o Sábio – Só isso? Sentado do lado de fora, na varanda, o Sábio segurava um cartão de aniversário - recém preenchido com palavras que a Menina não podia ver. Ela o observava do balanço, (hoje, gasto pelo tempo) enquanto esperava o Sábio terminar de reler as palavras que acabara de escrever para a filha do meio. Algum tempo no futuro, agora passado, a Menina levantou, subiu os três degraus da casa e sentou ao lado de seu amigo, o Sábio. Ele, s...

Um olhar, um adeus

Não faz parte da história da Menina e do Sábio. Alegria sabia de uma coisa, sabia que o olhar dizia muito quando as palavras não falavam. Não só o olhar. Ele podia ser acompanhado pelo descompasso de alguns passos, de jeitos e trejeitos. E se as palavras não faltassem, elas carregavam um tom diferente, de hesitação, de deslocamento, de incerteza. Elas traziam a esperança escondida que o coração tentava, sem sucesso, esconder. E, se o ímpeto não transbordasse, a menina sabia que seria tarde de mais. O jeito era dizer adeus, mesmo que por uma ínfima fração de tempo no tempo. Ela percebia, desde cedo, que as pessoas estavam acostumadas a falar com palavras sem vida um "adeus" sem valor, mesmo que todo conjunto escrevesse no ar uma pergunta secreta, mais tarde não dita: "então, o que vamos fazer agora?". 

Silêncio ensurdecer. Barulho silencioso

Não faz parte da história da Menina e do Sábio. Em uma madrugada silenciosa do som das vozes das pessoas, Alegria escutava o barulho dos carros, traçando um caminho conhecido ou, às vezes, até mesmo imprevisível (resultado do ímpeto daqueles que precisavam de novas paisagens, novos congestionamentos); dos ônibus que naquele dia repetiam (como era esperado) o itinerário de seus antigos ou não tão velhos dias; das motos, que pareciam, ora desafiar o vento, ora juntar-se a ele em uma velocidade quase tão rápida quanto a de um coração apaixonado; de seu ventilador, que assim como o ônibus, não se atrevia nunca a sair de sua rota, trabalhando sempre naquele mesmo movimento circular programado; e, por último, o eco de seus pensamentos, que nesta madrugada já ensolarada, pensava apenas nas palavras e na desesperança que as inúmeras junções de várias frases, orações e parágrafos depois provocavam. E, apesar do silêncio ensurdecedor de outras vozes vindo do lado de fora, do lado de dentro, em ...

Da Série: De onde você veio, Menina? E o seu amigo,o Sábio?

Dedicado ao meu Professor Gilberto, que junto a Kenia e Maria Betania, tornou possível a divulgação do primeiro conto de "A Menina & O Sábio".  A Menina & o Sábio – Memórias de duas vidas Todos aqueles que ali estavam presentes dez minutos atrás, agora se faziam ausentes. Apenas o Sábio permanecia onde estava desde o fim da tarde. Ele se despedia do seu neto mais jovem uma última vez, dizendo palavras que a Menina não podia escutar. Sabendo que aquele era um momento particular, ela permaneceu afastada, observando o Sábio de longe. Ele beijou a ponta dos dedos da mão esquerda e deu dois toquinhos na lápide. O epitáfio dizia “mais do que as palavras ou as estrelas podem dizer”. Quando virou, o Sábio, mesmo longe, conseguiu avistar a Menina. Alívio passou pelos seus olhos, hoje tristes. Ele enxugou as lágrimas com o lenço que trazia no paletó e se dirigiu a Menina. - Oi, Doce Menina! Acho que você já soube das últimas notícias. – Disse o Sábio meio sem graça...