A menina guardava um baú de passados. Ela
o deixava debaixo da cama, escondido. Quando a saudade transbordava, a menina
sentava no chão do quarto e com a chave que carregava sempre consigo, abria as
lembranças para si. Algumas estavam cobertas pela poeira do esquecimento;
outras, desbotando pelas tantas lágrimas de tristeza que a menina derramara.
Tinham ainda aquelas que estavam amassadas pela felicidade e manchadas pelas
lágrimas da alegria... Eram pedacinhos do passado que ela trouxera para o
presente como forma de lembrar outros dias, outras flores, outras dores. E, por
isso, por tirar de palcos antigos pequenas peças de seus cenários, o passado
ainda estava presente, sendo eternizado todo dia pelas lembranças que,
desgastadas ou não, continuavam ali, ao lado da menina, umas deixando de serem
dolorosas com o tempo, outras sendo eternamente felizes mesmo com ele.
Ontem, dia 19 de maio de 2026, meu Avozinho Zacarias Cavalcanti deixou o plano físico. Em sua memória, gostaria de deixar uma pequena mensagem aqui no Blog, já que ele sempre foi o maior apoiador desta história, das minhas palavras. Quero dizer exatamente o seguinte: Descanse em paz, meu vovozinho! Sempre acreditei que o senhor fosse imortal, que você chegaria aos 100 anos, que você iria além conosco! No entanto, descobri que a imortalidade está nos momentos que permanecem conosco em nossas lembranças, assim como o Céu, em suas diferentes tonalidades, está sempre acima de todos nós. Portanto, Você está e sempre estará no seu amor pelo Sport, em um pratão de comida boa, nas pipocas estouradas nas festas a que fomos em sua antiga casa, em todas as surpresas de uva que comi no vigésimo andar da beira-rio, nas inúmeras camisetas azuis que você gostava de usar (mesmo sem perceber que azul era sua cor favorita), nos livros inteligentes que você lia (um por mês, pelo menos), nos elogios que r...
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