A menina guardava um baú de passados. Ela
o deixava debaixo da cama, escondido. Quando a saudade transbordava, a menina
sentava no chão do quarto e com a chave que carregava sempre consigo, abria as
lembranças para si. Algumas estavam cobertas pela poeira do esquecimento;
outras, desbotando pelas tantas lágrimas de tristeza que a menina derramara.
Tinham ainda aquelas que estavam amassadas pela felicidade e manchadas pelas
lágrimas da alegria... Eram pedacinhos do passado que ela trouxera para o
presente como forma de lembrar outros dias, outras flores, outras dores. E, por
isso, por tirar de palcos antigos pequenas peças de seus cenários, o passado
ainda estava presente, sendo eternizado todo dia pelas lembranças que,
desgastadas ou não, continuavam ali, ao lado da menina, umas deixando de serem
dolorosas com o tempo, outras sendo eternamente felizes mesmo com ele.
Chegamos ao centésimo post OFICIAL do blog! E nada melhor para comemorar essa data do que trazer como protagonista o cãozinho da Menina, não é mesmo! Dedico este conto a Wintinho e a Baltinho, meus amores de quatro patinhas que inspiraram este conto. Vocês me ensinam muito todos os dias. Obrigada por existirem. Amo muito vocês dois! Daqui até o infinito e além. P.S.: todas as hitórias de Goiaba aconteceram na vida real através de meus dois amores caninos.
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